A Geração Tirada das Águas

 Em Artigos, Shemot

S omos produtos do nosso tempo. Não podemos separar a pessoa de sua época, essa perspectiva nos faz compreender nosso momento na história. Cada período trará consigo seus próprios desafios e cabe a cada um de nós aceitá-los ou viver à margem do nosso tempo. Quem somos? Onde e quando estamos? O que tentamos alcançar? Que tipo de pessoas queremos ser? Quando conseguimos essas respostas somos nomeados.

Moisés nasceu em um tempo de transição, era o sétimo desde Abraão.  O número sete significa completude. Um ciclo completo havia se fechado desde que o Eterno apareceu a Abraão e fez com ele uma aliança. Esse momento ficou conhecido como o “Pacto entre as partes cortadas” e é narrado em Gênesis 15:9-17. Nesse dia uma terrível profecia é decretada pelo Eterno: Então disse o Eterno a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos…Na quarta geração, porém, voltarão para cá. porque a medida da iniquidade dos amorreus não está ainda cheia.” O pequeno Moisés abre os olhos em um ponto crítico na história, o seu papel seria crucial no destino de toda humanidade e mesmo que tenha relutado ele se torna um instrumento para o cumprimento do propósito eterno de Deus em sua geração. Apesar dessa perspectiva histórica e profética Moisés precisou passar por três ciclos de quarenta anos para se tornar Moshe Rabbenu, “Moisés, o mestre”. O número 40 tem grande significado ao longo da Torá e do Talmud. Representa transição ou alteração; o conceito de renovação; um novo começo”.  No capitulo 7 de Atos encontramos a descrição de cada um desses ciclos de quarenta anos.

Primeiro Ciclo – Atos 7:20-23

Instruído em toda ciência do egito, Moisés torna-se poderoso em palavras e ações. Sua força é sua educação erudita onde o conhecimento é poder. Quando o ciclo de quarenta anos se cumpre algo acontece em seu coração. Ele se lembra de onde veio e parte para um encontro com sua identidade coletiva (seus irmãos). É na nossa origem que encontramos o nosso destino. Nesse ciclo Moisés compreende que toda a fonte do seu poder, a ciência e o conhecimento egípcio, não seria suficiente para libertar seus irmãos. “E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam”.

Segundo Ciclo – Atos 7:24-29

No segundo ciclo de quarenta anos ele passa com o povo de Midiã no deserto, aprende a natureza da solitude e é ensinado por Deus no deserto. Como pastor de ovelhas ele aprende a vida de quietude e contemplação. A maior de todas as lições é que como estrangeiro ele passa a ser um peregrino na terra assim como seu pai Abraão. Moisés estava se tornando um atravessador, um homem de transição.

Terceiro Ciclo – Atos 7:30-44

Ainda no deserto Moisés aprende sobre sua natureza sacerdotal; atravessadores são também intermediadores entre duas realidades. Nesse lugar Moisés descobre o nome de Deus: Eu sou. O entendimento que “não é sobre você” te liberta de uma das mais perigosas formas de insegurança. Reconhecendo que não havia poder nele para libertar o povo, Moisés se rende ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Só então é empoderado por Deus e enviado como príncipe e libertador. Falando em nome do Eterno ele conduz o povo para fora do egito, para que atravessem as águas do mar vermelho e sejam tirados da escravidão. Literalmente o nome de Moisés “Tirado das águas” era sua identidade maior, a visão que os povos tiveram do outro lado do Mar Vermelho foi justamente ver um povo saindo das águas.

Conclusão

O desafio em todos os detalhes é não perder a grande imagem. Somos pequenos porém únicos. Sem números, sem riqueza, sem ferramentas sofisticadas. Na verdade, nem temos uma terra. Somos peregrinos! Por isso não somos iguais, não adoramos o que os outros adoram, nem vivemos como eles vivem. A alternativa é levarmos Deus em tudo o que fazemos, como juiz de nossos atos, autor de nossas leis, autor de nossa liberdade, defensor de nosso destino e objeto de nossa adoração e amor. Se ele for a fonte de nossa existência – algo maior que nós – então também seremos levados a um lugar mais alto. Somos exclusivos como criadores de cultura, que buscam significado, isso afeta tudo o que fazemos e como respondemos. A primeira responsabilidade de um líder é definir a realidade. Quem somos e qual o nosso propósito. No último mês de sua vida, Moisés deixou de ser o libertador, o milagreiro e redentor, e tornou-se Moshe Rabbenu, “Moisés, nosso professor”. Que possamos ser esse tipo de gente, cumpridores da palavra que está sobre o nosso tempo.

  • Marlon Brito
    Marlon Brito Ministro

    Marlon é casado com Jessica  e integra a equipe ministerial da Missão Mobilização. É co-fundador da Mob Creative, agência de comunicação e inteligência de marketing. Também atua na área publicitária como designer, desenvolvedor web e fotógrafo. Desenvolve junto a Missão Mobilização palestras, cursos e treinamentos no desenvolvimento vocacional, identidade, comunicação e cultura do reino.

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