Corrigindo a Visão

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Yeshua se aproximava de Jerusalém e a expectativa de que o Reino de Deus se manifestasse aumentava. Yeshua aproveitou que tinha a atenção deles para contar uma historia:

“Certa vez um homem descendente de uma casa real precisou fazer uma longa viagem de volta a capital do seu reino a fim de conseguir autorização para o seu governo. Antes de partir chamou dez empregados, entregou uma quantia de dinheiro e os orientou: ‘Negociem, até que eu volte’.” – Lucas 19:11-13 (A Mensagem)

Essa historia ajustou a perspectiva que eles tinham referente a manifestação do reino de Deus. Fez com que compreendessem quem Ele era, quem eles eram e qual deveria ser a missão de suas vidas e o trabalho em relação ao reino. Mostrou que eles não deveriam reduzir às boas novas para a eternidade apenas, mas se ocupar em realizar obras eternas no presente. Isso nos fala de uma nova maneira de ver. Uma mudança de cosmovisão repensando como vemos economia, negócios, comunicação, empreendedorismo, comércio etc. Não é por acaso que ele usa o termo “Negociem” (Pragmateuomai – Estar ocupado com algo, ter um negócio, exercer comércio).

Essa nova abordagem passa a influenciar a vida como um todo. Salomão disse:

“Quando as pessoas não conseguem ver o que Deus está fazendo, elas tropeçam em si mesmas”. – Provérbios 29:18

Adonai tem uma cosmovisão e era isso que Yeshua estava ampliando para que os discípulos compreendessem. O problema é que os discípulos também tinham uma cosmovisão. Por que mesmo andando com Yeshua todos aqueles anos os discípulos ainda não conseguiam ver? Na queda o homem perdeu duas coisas:

  • A capacidade de ver a partir da luz divina. (Visão Correta )
  • O lugar de onde ele via. (Jardim do Éden – Perspectiva )

Quando o homem original perde sua capacidade de ver a partir da luz do Eterno ele se oculta. A perspectiva é o modo pelo qual alguma coisa é vista. Vemos algo a partir do lugar de onde estamos. Isso define nossa visão de mundo (Cosmovisão). Ao sair do Éden perdemos mais do que um lugar, perdemos a perspectiva em Deus de ver todas as coisas, perdemos a cosmovisão de Deus.

A primeira coisa que o homem viu depois da queda foi a si mesmo. A cosmovisão mudou, “Vejo a partir de mim e vejo que estou nu. Por isso me escondo”. A centralidade da vida até então estava em Deus, agora o homem era o centro. Adão se esconde porque a busca por Deus nesse ponto partia dele, do seu estado. A estrutura de relacionamento muda e o homem se sente inadequado, culpado, condenado. A proposta de conhecimento do bem e do mau deu independência de produção ao homem mas não revelou a sua incapacidade de produzir coisas boas a partir dele mesmo.

A perspectiva é moldada por nossa visão, vemos a partir do lugar de onde estamos. Isso define nossa visão de mundo (Cosmovisão). Ao sair do Éden perdemos mais do que um lugar, perdemos a perspectiva em Deus perdemos a cosmovisão de Deus.

O homem tinha tudo a seu favor, estava no Éden, o jardim de Deus. Estava vestido de esplendor. No momento em que ele cai, ele percebe que estava nu, perde o esplendor que era um aspecto da sua semelhança com o Eterno. De tanto comprar e vender o coração do homem ficou cheio de injustiça, desordenado. Por isso o homem foi lançado fora. Se o Éden é um lugar de justiça, o lugar de ordem de onde tudo é ordenado, o homem não pode mais ficar no jardim porque não há mais ordem dentro dele. Saindo ele perde a visão do mundo e começa a ter sua própria visão hedonista.

O mundo de Deus tem um funcionamento , na nossa rebelião perdemos a habilidade de viver plenamente dentro dessa estrutura eterna para a qual fomos criados. Vemos que na eternidade havia um funcionamento. O homem era perfeito, estava em um lugar estabelecido de onde ordenava (Éden), permanecia no Monte Santo (Lugar alto de onde podia ver), era perfeito em todos os seus caminhos (Imagem e semelhança de Deus) e se ocupava com o comércio/negócio, com sabedoria e entendimento (Torá). A sabedoria de Deus me faz criar a partir do Eterno, para Sua glória (Co-criador). Corromper a sabedoria é criar para satisfação do próprio homem (Criador – Querer ser igual a Deus). Eu ainda posso possuir o conhecimento mas uso esse conhecimento para satisfazer minhas próprias necessidades.

A proposta de conhecimento do bem e do mau deu independência de produção ao homem mas não revelou a sua incapacidade de produzir coisas boas a partir dele mesmo.

O reino não se foi, apenas perdemos a capacidade de vê-lo. Toda escolha, toda ação, é baseada na maneira como vemos e de onde estamos vendo. Questões fundamentais da vida precisam ser analisadas sob alguns aspectos:

  • Criação – De onde viemos, quem somos.
  • Queda – O que deu errado.
  • Redenção – Como consertar.

Na queda eu perco visão , a desordem se instala, fora do jardim perco a perspectiva, perdendo a perspectiva perco a cosmovisão e deixo der ser iluminado sendo lançado na escuridão. Me torno assim sem forma e vazio, como no principio, mas sem o Espírito de Deus pairando sobre as águas. Isso é terrível e assustador! A queda do homem consistiu no homem querer achar propósito nele mesmo, no que ele era capaz de fazer. Quando não conseguiu se realizar em si ele tentou se realizar na expressão exata dele, no outro. A criatura passa a viver em função da criação, sejam coisas, ou pessoas.

Paulo aos romanos fala: “Abram os olhos e poderão ver! Se analisarem com cuidado o que Deus criou, serão capazes de ver o que os olhos deles não enxergam: o poder eterno, por exemplo, e o mistério do ser divino. Vejam o que aconteceu: a humanidade conhecia Deus perfeitamente, mas deixou de tratá-lo como Deus, recusando-se a adorá-lo, e foi reduzida a um tão terrível estado de insensatez e confusão que a vida humana perdeu o sentido. Eles fingem saber tudo, mas são ignorantes sobre a vida. Trocaram a glória de Deus, que sustenta o mundo, por imagens baratas vendidas na feira. Então aconteceu o pior. Como se recusaram conhecer Deus, logo perderam a noção do que significa ser humano: mulheres não sabiam mais ser mulheres, homens não sabiam mais ser homens. Sexualmente confusos, abusaram um do outro e se degradaram, mulheres com mulheres, homens com homens — pura libertinagem, pois de modo algum isso pode ser amor. Mas eles pagaram caro por isso, e como pagaram: são vazios de Deus e do amor divino, perversos infelizes e sem amor humano. Uma vez que eles não se importaram em reconhecer Deus, Deus desistiu deles e os deixou por conta própria. A vida deles agora é uma confusão só!”

Como Consertar

O termo Tikun olam (hebraico: תיקון עולם) é uma frase hebraica que significa “reparar o mundo”. A frase tikum olam está incluída no Aleinu, uma oração judaica que é tradicionalmente recitada três vezes ao dia. O Aleinu exalta a Deus por permitir que o povo judeu O sirva e expressa a esperança de que o mundo inteiro, um dia, irá reconhecer a Deus e abandonar a idolatria. A frase tikum olam é utilizada na expressão l’takken olam b’malkhut Shaddai, “Aperfeiçoando o mundo sob a soberania de Deus“. Em outras palavras, quando todas as pessoas do mundo abandonarem os falsos deuses e reconhecerem Deus, o mundo terá sido aperfeiçoado. A palavra tikum está gramaticalmente no gerúndio ( “reparando” ou “aperfeiçoando“), e olam significa “mundo”. As duas palavras juntas (tikum olam) estão na construção e significam “reparando o mundo” uma ação continua.

Reparando o mundo sob a soberania de Deus.

A obra redentiva carrega esse aspecto, indo muito além da salvação, até que, todas as coisas sejam restauradas ao seu estado original. A salvação me dá acesso, e nos transporta de um lugar para o outro, mudando consequentemente nossa perspectiva. Vemos esse processo quando Adonai tira o povo do Egito do deserto, do lugar de escravidão, onde eu não consigo ver nem ouvir. Quando Moisés é enviado por Deus para falar ao povo eles simplesmente não conseguem ouvir porque estavam abatidos pela dureza da escravidão. Eles não conseguiam ver a salvação chegando porque estavam em um lugar de sofrimento e morte. Quando são libertados eles precisam ser transportados, precisam passar pelo deserto e pelas águas do mar vermelho. A libertação foi um estágio – salvação. O deserto fala de um processo de uma passagem de um lugar para outro que muda a perspectiva. Por isso deveriam ir a um monte, para que pudessem ver.

Paulo fala aos colossenses que quando olhamos para o filho, Yeshua, vemos o Deus invisível. Mudando a perspectiva mudamos a visão e consequentemente a cosmovisão. Yeshua nos dá a visão de Deus. Faz-nos ver a partir do princípio e o que vemos no princípio é que todas as coisas foram criadas por meio dele, nEle tudo subsiste ou em outras palavras nEle tudo encontra PROPÓSITO. Inclusive eu e você. Aqui acaba a confusão. O profeta Isaias diz que a cidade não terá necessidade do sol nem da lua, o Eterno será sua eterna luz. O que vemos na verdade é luz refletida, nessa cidade a Luz do Eterno iluminará todas as coisas, veremos eternamente através da perspectiva da sua luz, teremos uma mente iluminada nos revelando em cada aspecto da criação a glória de Deus. Em outras palavras veremos como Ele vê.

Yeshua nos dá a visão de Deus. Faz-nos ver a partir do princípio e o que vemos no princípio é que todas as coisas foram criadas por meio dele, nEle tudo subsiste ou em outras palavras nEle tudo encontra PROPÓSITO.

Um das mais marcantes passagens sobre o Reino de Deus é o diálogo de Yeshua com Nicodemus. Ao responder sua pergunta Yeshua diz: “A não ser que alguém nasça do alto, não é possível VER o Reino de Deus”. Primeiro eu vejo depois eu entro pelo novo nascimento da água e do Espírito. Ele prossegue: A não ser que alguém se submeta a essa criação original, a criação na qual o vento pairava por sobre as águas, o invisível movendo e dando forma ao visível, não lhe será possível entrar no Reino de Deus.

Quando vejo a partir do princípio e entendo o funcionamento das estruturas originais da criação, minha perspectiva é transformada, um novo nascimento interior, um homem renascido com uma estrutura original na mente, alma e espírito. Um homem que vê tudo porque é conduzido de volta ao lugar original, ao lugar de justiça, ao jardim do Éden. Acessando esse lugar de ordem ele vê o funcionamento de todas as coisas e o conhecimento de Deus lhe dá autoridade para governar restaurando toda a criação a partir de todas as esferas.

Negociem até que eu volte

A visão pela qual Yeshua viveu e morreu foi – O reino de Deus. O reino de Deus existe onde Deus reina. Isso inclui todas as coisas, tempo, lugar e esferas onde o homem exerce influência. Yeshua em suas parábolas devolvia aos homens a habilidade de ver e entender o funcionamento do reino. Por isso sempre dizia “O reino de Deus é como…”. O objetivo é reconectar nossas vidas e trabalho a visão de Deus e seu reino. Coram Deo significa: Viver de forma integral na presença de Deus, com a autoridade de Deus, para a glória de Deus.

Obter uma cosmovisão bíblica nos faz compreender o que é ser feito imagem e semelhança do Eterno. Reconecta nossas habilidades e talentos ao Reino de Deus. Davi um homem que cumpriu o desígnio de Deus para sua geração disse: “Os céus dos céus é para o Eterno mas Ele designa os homens responsáveis pela terra”. A palavra é “Nathan” que significa : Dar, conceder, garantir, consagrar, vender, negociar, produzir, estabelecer. Nossa missão é redimir todas as áreas de influência, fazer sujeitar, governar e estabelecer o seu Reino, sarando a terra e restaurando todas as coisas para que cumpram seu propósito original: Fazer com que o Eterno seja Senhor sobre todas as coisas!

Yeshua investiu todo esse tempo em pessoas porque ele estava nos ensinando que “pessoas transformadas transformam culturas”.  A missão? Redimir sua área de influência.

  • Marlon Brito
    Marlon Brito Chief Marketing Officer

    Marlon Brito é natural de Salvador, atualmente residindo em Curitiba e integrando a equipe da Missão Mobilização. É fundador da Ka Creative e Studio i9 e CMO na MOB Coworking, trabalhando com comunicação e mídia, além de atuar na área publicitária como designer, desenvolvedor web e fotógrafo. Acredita no discipulado das nações através das áreas de influência que moldam a sociedade. Formas de comunicação quando aplicadas em comunidades e nações são poderosas ferramentas de influência e servem pra moldar uma cultura ensinando valores e princípios de Reino. Tem o objetivo de ampliar essa Voz para ecoar através de espaço e tempo e preservar um entendimento saudável e duradouro de uma cosmovisão bíblica.

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