De Mãe Para Mãe

 In Mulher Melhor

N ecentemente tive minha terceira filha e lembro-me que no final da gestação, quando tudo que queria era que o bebe nascesse logo e me livrar das dores e desconforto, meu marido queixou-se do quanto eu estava negativa. Mas eu estava imensa. Mas tudo doía. Mas eu tinha tantas preocupações em como ia ser. Quanta incompreensão, quanta indignação. Esses foram meus pensamentos e sentimentos. Porém, hoje, avaliando melhor, só consigo redimensionar o tamanho do amor de uma mãe e seu desprendimento por conta de um “serzinho” que não tem habilidade alguma, que não se expressa, que não demonstra sentimentos e que está ali pura e simplesmente para ser amado.

É incrível notar que após nove meses de enjoo, azia, insônia, dores lombares e no ciático, perda de reflexos, lentidão para executar as tarefas, ganho de peso, mudança nas formas torneadas do corpo e do tão sofrido e constrangedor momento do parto, esperei com ansiedade pelo causador de tudo isso querendo ver o seu rostinho, pega-lo no colo e presenteá-lo com todo amor que ainda nem cabia em meu peito.

É estranho depois de tudo isso ver que a nova mãe recebe aquele que se mexia sem parar dentro de seu ventre com sorriso nos lábios, com lagrima de alegria nos olhos e já não consegue imaginar sua vida sem aquele que acabou de entrar nela. Assim somos nós. Antes dos filhos já assumíamos vários papeis: esposa, filha, profissional, dona de casa, mesmo assim ainda temos o maior prazer em incluir mais um para nosso currículo da vida:

O papel de Mãe, e este parece superar os demais ocupando um lugar de prioridade pela simples capacidade de nos ensinar um novo modelo de amor, mais forte, realmente incondicional, não egoísta, que não espera um sorriso do filho, uma flor ou um presente, mas que simplesmente o ama por quem ele é. Um amor, que por mais apaixonada que tenha sido por alguém, nunca havia experimentado algo parecido.

Enfim um sentimento que não imaginava ser capaz de guardar dentro de si, caber dentro de si. Para sempre. Trata-se de uma emoção incomum, que nos faz, mesmo depois de algum tempo, acordar de madrugada somente para checar se está tudo bem, que nos faz abrir mão daquela blusa linda para comprar um carrinho ou uma boneca, que nos faz desistir de um compromisso importante só para rolar no chão ou assistir aquele desenho, que nos faz abandonar o salto e a maquiagem ou ainda nossa vida profissional para acompanhar cada passo, cada dentinho, cada sorriso, cada palavra.

Ser mãe: é uma classificação única, quase que imprescindível de ser alcançada, quase que indispensável para encontrar a completude, quase que necessária para ser feliz.

Ouço muitas mulheres afirmarem não que não querem ser mães devido ao caos em que o mundo se encontra, porém, penso que ele pode tornar-se menos caótico se cada mulher puder experimentar um novo amor: o verdadeiro amor. Os homens ainda podem ter os maiores salários, podem ter a preferência para os cargos de gestão, podem ter a força e ser os únicos a conseguir abrir o vidro de azeitona, porem essa habilidade eles nunca terão, essa capacidade de gerar, esse poder que nos foi concedido, isso nunca atingirão. Por maiores que sejam as alterações nos princípios e conceitos da sociedade, essa graça nunca será tirada ou copiada de nós. Ser mãe: é um presente deixado pelo Criador.

Quando penso no por que Deus escolheu a mulher para ter o ventre que gera, só posso concluir que Ele em sua sabedoria viu que éramos as únicas capazes de receber dentro de si um sentimento como esse, que mobilizaria e mudaria nossas vidas por completo e que mesmo assim agradeceríamos a cada dia pelo Presente que nos chama de mãe.

  • Andréa Bomfim
    Andréa Bomfim Pastora

    Andréa Bomfim, natural do Estado de São Paulo, casada com Anderson Bomfim, pais da Giovanna, Olivia e Pietra Bomfim. Residentes colaboradores de um presbitério local na cidade de Curitiba-PR. Fundadora da Missão Mobilização, é Psicologa e pedagoga, servindo em várias localidades do Brasil com mulheres através do programa Mulher Melhor, com seminários, palestras, aconselhamento, além trabalhar com ensino social e profissionalizante para adolescentes e jovens.

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