Feridas Antigas Que Matam o Novo

 In Mulher Melhor

O O mundo em que vivemos tenta nos convencer do real significado e importância da religião. Religar-nos a Deus? Será que podemos, levando nossos conteúdos de complexos, traumas, vivências e consequentes feridas, sermos religados àquele que é santo, puro e perfeito? Yeshua já nos deu a resposta para este tipo de questionamento, quando diz que ninguém consegue colocar remendo de pano novo em roupa velha, porque este remendo romperá a roupa aumentando ainda mais a rotura, ainda completa que tampouco é possível colocar vinho novo em odres velhos, pois o odre se rompe.

Todos nós passamos por isso, temos cargas conscientes e inconscientes acumuladas com o tempo e com as vivencias. Não podemos resumir os princípios de Deus há um pó mágico que com apenas uma mão levantada e uma oração, todos os problemas de paternidade, ansiedade, angustia com fatos do passado serão instantaneamente resolvidos.

A verdade é que para que a cura da alma seja conquistada, para sairmos da condição na qual acontecimentos registrados no passado nos colocaram, assumirmos uma nova posição na qual Deus deseja que estejamos, precisamos entender alguns passos, isto depende de um processo. Mas que processo é este? Quais as etapas a serem vencidas

Somos parte de uma sociedade doente e afetada com cargas emocionais capazes de influenciar e muitas vezes até mesmo destruir o futuro do indivíduo, tornando-o escravo de comportamentos que se dão à mercê das feridas adquiridas e não tratadas. Yeshua exemplifica o que falou com o que se dá em seguida nas colocações de Mateus 9: um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, chega até ele e pede que cure sua filha que está em leito de morte. No caminho, rumo a casa onde estava a menina, em meio à multidão, uma mulher que há 12 anos sofria com um fluxo de sangue, tocou suas vestes e foi curada.

Vamos avaliar a situação da mulher: considerando que mulheres têm a sua primeira menstruação aos 14 anos aproximadamente e há 12 ela sofria com o fluxo contínuo, podemos dizer que ela tinha, pelo menos 26 anos. No entanto, o mesmo relato no livro de Marcos, traz que esta mulher havia gastado tudo o que tinha buscando a cura. Considerando que para que pudesse gastar o que tinha, precisava ter atingido à sua maioridade, ou seja, estamos falando de uma mulher madura de uns 35 anos.

Entendo que houve uma exposição por parte dela, uma vez que a multidão se acotovelava para seguir Yeshua e ela conseguiu tocá-lo. O fato do percurso em direção à cura da menina ter sido interrompido por este milagre, não significa que algo foi atrasado, ao contrário, mesmo que enquanto caminhavam, chegaram alguns homens da sinagoga, e disseram que a filha estava morta e que não precisaria mais incomodar o Mestre.

Quando chegaram à casa de Jairo, Yeshua passa pelas pessoas dali desesperadas com a morte da menina e vai até o quarto. Chegando lá apenas diz aos familiares que não há motivo para o desespero, pois a menina não estava morta, apenas dormia e logo determinou que ela levantasse e que dessem comida a ela.

Notem que para que Deus colocasse o “novo” em pé, foi necessário no decorrer do percurso que curasse o que há algum tempo estava doente. Não podemos pular as etapas que temos que vencer para alcançar o novo tempo que Deus tem proposto. Mesmo que tenhamos que nos expor. Alcançaremos a restauração através de um entendimento de quem realmente somos e como estamos, reconhecendo nossas feridas e o quanto somos afetados com fatos do passado. Abrirmo-nos para que isso tudo seja mexido, exposto e então zerado, possibilitará começarmos algo realmente novo.

Em anos de vida cristã conheci muitos homens e mulheres de Deus que se moviam achando graça aos olhos do Pai, porém suas vidas e relacionamentos eram afetados em algum momento pelas marcas maltratadas do passado. Entendo que até mesmo o mover de Deus através da vida dessas pessoas tornava-se limitado, pois não concluíram todo o percurso.

Não viram o novo levantado pela falta de cura do antigo. Marcos nos conta que a filha de Jairo tinha 12 anos, exatamente o mesmo tempo que a mulher sofria com o fluxo de sangue. Entendo que somos assim, permanecemos sofrendo com algo que suga nossas forças e que não nos permite gerar nada. Deus quer fazer algo novo, mas de tanto tentarmos sozinhos, corremos o risco de deixar morrer o que Ele tem proposto.

Certamente você está se perguntado: “ok, entendo isto, mas quais as etapas que preciso vencer para alcançar a restauração e cura da alma? ”. O próprio Mestre continua o capítulo nos dando as dicas para este sucesso pessoal. Assim que Yeshua pôs de pé a filha de Jairo, partiu dali e dois cegos chegaram até ele dizendo “Tem compaixão de nós, filho de Davi…” e Yeshua perguntou se criam que Ele poderia fazer isso. Após a resposta positiva Ele toca seus olhos dizendo: “Seja-vos feito segundo a vossa fé”. E os olhos se abriram.

A primeira etapa no processo de cura da alma é o reconhecimento de que temos feridas que nos afetam. Como se dá o processo de reconhecimento? Abrindo nossos olhos. Precisamos ser curados de toda cegueira inconsciente que faz-nos achar que somos lindos, polidos e já restaurados, quando na verdade não passamos de sepulcros caiados, podres por dentro, com impulsos instintivos sedentos por situações em que entrarão em ebulição, uma explosão de sentimentos, palavras, agressões e… Olha elas aí novamente… mais feridas.

Um ponto importante a ser considerado é que, por mais autossuficientes que possamos ser a decisão de abrirmos nossos olhos não partirá de nós. Caso fosse assim veríamos apenas o que fosse conveniente. Yeshua pergunta se os cegos realmente criam que ele poderia curá-los. Esta é a pergunta que Deus nos faz: “querem mesmo ver o que há dentro de vocês? Crê mesmo que posso fazer isso? ”. A partir daí sim, estamos prontos para alcançar a próxima fase do processo de cura: a exposição da dor! 

Após ter curado os dois cegos, trouxeram até Yeshua um homem mudo que estava endemoninhado. Ele expulsou o demônio e o mudo falou. Assim que conseguirmos enxergar dentro de nós mesmos, precisamos confessar toda a dor, colocar para fora aquilo que há tanto tempo doía, porém não sentíamos, ou pelo menos achávamos que não. Poderes opressores se alimentam do silêncio.

Esse falar funciona dentro de qualquer processo terapêutico como um movimento de se livrar do peso que vimos carregando, e olha nosso Mestre, muito antes de Freud, nos ensinando isto quando diz um pouco mais adiante em Mateus 11: 28-30 para virem até Ele aqueles que estão cansados e oprimidos para que pudessem ser aliviados. Se você pudesse estar diante de Deus agora, ficaria mesmo em silêncio? Com isto, Yeshua queria que trocássemos o fardo e o jugo que levamos a partir de um momento de confissão.

Você pode fazer isso diretamente com Deus ou, caso entenda que Ele coloca alguém no seu caminho para que seja auxiliado nesse movimento de falar, que assim seja… Não importa a maneira, simplesmente faça, simplesmente fale.

Em todo tratamento terapêutico, não é apenas o paciente que se beneficia com a cura, a sociedade é beneficiada com a restauração do indivíduo. Quero que você pense em seus familiares, em seus colegas de trabalho, vizinhos, irmãos de fé, pessoas que passam por nós todos os dias. Precisamos entender quem são essas pessoas que precisamos liberar para que também sejam curadas a partir do que começou em nós. Existem pessoas que passaram pela nossa vida e em algum momento foram afetadas pelo nosso comportamento reativo e passam a vida desorientadas e inconscientemente aguardando que algo aconteça para resinificar sua existência. Seja este agente.

Permita ser usado! Ele tem algo novo para levantar em sua vida, mas o velho precisa ser curado, caso contrário, continuaremos cegos e mudos, iludidos com uma saúde mental e emocional que não temos e consequentemente vivenciaremos relacionamentos quebrados e experimentaremos um contato superficial com Deus.

  • Andréa Bomfim
    Andréa Bomfim Pastora

    Andréa Bomfim, natural do Estado de São Paulo, casada com Anderson Bomfim, pais da Giovanna, Olivia e Pietra Bomfim. Residentes colaboradores de um presbitério local na cidade de Curitiba-PR. Fundadora da Missão Mobilização, é Psicologa e pedagoga, servindo em várias localidades do Brasil com mulheres através do programa Mulher Melhor, com seminários, palestras, aconselhamento, além trabalhar com ensino social e profissionalizante para adolescentes e jovens.

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