INTERNALIZAÇÃO DO ENSINO PELA REPETIÇÃO

 In Vayakhel

Vayak´hel destaca alguns pontos importantes do processo de desenvolvimento do plano de Deus na história do povo de Yisra´el. É interessante como o ensino contido nesta Parashah é pontual e relevante para a estação em que nos encontramos. Dentre todos os tesouros escondidos nesta Parashah, gostaria de ressaltar algumas expressões que são constantemente repetidas nesta porção, e como elas são ampliadas no Novo Testamento, estabelecendo desta forma, um parâmetro para aquilo que está se desenrolando dentro da Agenda de Yahweh, seja a nível global, ou de forma específica no contexto local de nossas comunidades, tanto da rede S1, quanto de outras redes espalhadas pelo mundo.

 

A SÍNTESE DA LEI: AMAR É HONRAR

A Parashah começa retratando que Mosheh reuniu o povo para comunicar-lhes o que lhe havia sido dito por Yahweh no Sinai. A instrução sobre a construção do tabernáculo transcendia a ato da construção em si, pois apontava a nova dinâmica que o Eterno estava imprimindo na relação Dele com seu povo, dentro do processo de formação da nação no deserto. Mosheh reafirma a importância do Shabbat, o dia de descanso em honra ao Eterno. Vejam, diante de uma obra grandiosa, Ele estava instruindo o povo de que deveriam priorizar a Honra ao Nome Dele, e que tal honra não estava relacionada apenas ao que iriam construir, ou ao lugar específico da construção,mas a postura que a nação deveria ter perante Ele. A contemplação da pessoa do Eterno, o desenvolvimento de um coração pronto a ouvir e obedecer, e o entendimento de que tudo pertencia a Ele eram algumas coisas que Ele estava modelando no interior de seu povo por meio Shabbat. Por isso, começar a instrução sobre a construção do Tabernáculo a partir do Shabbat revela que o Eterno estava despertando a consciência do povo sobre a integralidade e unidade da Torah, onde um mandamento não anula o outro, pelo contrário, potencializava o que já havia sido ensinado, pois a Torah transcende palavras escritas ou leis que determinam comportamento, porque ela é a expressão do próprio Mashiach (Jo 1). Yisra´el não poderia realizar algo grandioso que levasse o Nome dele e que serviria de testemunho para outras nações, se começasse quebrando um princípio de honra. O dia do descanso não era apenas um dia para não se fazer nada, mas a manifestação de pertencimento. Também não envolvia o que hoje é ensinado em muitas filosofias orientais e ocidentais, que trabalham a meditação com o objetivo de esvaziamento da mente, visando alívio e o renovador do corpo e da psique. Se olharmos para o dia do descanso apenas nesta ótica estamos reduzindo este dia a nossa necessidade fisiológica. Ainda que o renovar dos aspectos físicos faça parte deste dia, precisamos entender que dentro da cultura judaico-cristã, o princípio da meditação envolve o preenchimento da mente com virtudes, princípios e valores eternos. Não se trata de um alívio momentâneo, mas algo que se estende a todos os dias de nossa vida. Richard Foster em Celebração da Disciplina traz uma reflexão sobre a importância da meditação contemplativa, que vai além de um leitura de um texto, mas também de se ler o que está a nossa volta, de se ampliar a percepção sobre o Eterno, de compreender sua dinâmica na criação e também a partir do está Ele movimentando dentro de nosso tempo. Acredito no Shabbat com esta perspectiva, de que no dia de descanso somos preenchidos na mesma medida que o contemplamos, de que somos  renovados fisiologicamente, revigorados em nosso espírito e realinhados em nossa psique na mesma medida que descansamos Nele, sabendo que Ele já completou a obra que Ele mesmo começou. Que O honramos porque O amamos. No Shabbat somos agraciados com uma obra silenciosa e poderosa do Espírito que ajusta nossa perspectiva sobre os dias que virão, nos traz clareza sobre a agenda do Eterno em nossos dias e nos torna precisos no que iremos empreender no ciclo de seis dias. O Shabbat nos ajuda a compreender que acima das realizações está a obediência, que acima do ativismo está a honra ao Nome Dele, de que honrar é uma expressão de amor e compromisso, e de que todos precisam do entendimento do que Ele está mobilizando em nossos dias e quais passos deve ser dados na direção disto.

 

MOBILIZANDO HOMENS COM UM CORAÇÃO DISPOSTO

Após trazer a instrução sobre a importância da honra, Yahweh traz uma chave para o processo de construção do seu tabernáculo sobre a terra: “que houvesse uma mobilização de pessoas com um coração disposto”. A expressão “coração disposto” se repete por cinco vezes na Parashah (Ex 35:5; 21, 22, 29 e Ex 36:2). A expressão נדיב  nadiyb, traz o sentido de um coração inclinado, voluntário, nobre, generoso, pronto a servir. Esta palavra vêm da raíz נדב  nadab, que é traduzida como incitar, impelir, ser voluntário, apresentar-se voluntariamente,sendo encontrada em quatro dos cinco versículos. A outra expressão utilizada (em Ex 36.2) é נשא nasa’, que traz o sentido de levantar, mobilizar em direção a algo. A expressão de “homens com um coração  disposto”  a ideia de alguém que é mobilizado por uma causa e impelido a tomar parte dela com aquilo que possuí. Envolve aproximação ao que Deus está fazendo. Gosto muito da expressão de que um coração disposto é um coração sem reservas. Que não apenas é generoso no dar, mas é generoso no compartilhar da mesma tarefa juntamente com outros. São homens anônimos, que agem silenciosamente sem serem vistos ou percebidos, mas que compreendem sua importância dentro daquilo que Deus está fazendo. Ter essa perspectiva mobilizadora é a essência de nosso ser. Compreender que pessoas com essa característica é fundamental dentro de uma ação mobilizadora. Tentar mobilizar pessoas que só pensam em si produz cansaço, enfado, atraso, amargura. Na verdade, todo esforço em se fazer isso pode matar uma comunidade inteira, pois exige muito esforço e resulta em pouca efetividade e  pouco crescimento qualitativo, tornando o ambiente comunitário um lugar confuso e sem expressão. Acredito que estamos em um tempo onde Yahweh está mobilizando pessoas com um coração sem reservas, que sempre estarão disponíveis a dar tudo o que for necessário dentro daquilo que Ele está ordenando. Estes sempre terão muito para dar, porque sempre estarão dispostos a dar tudo. Esta verdade define se estamos nos aproximando ou nos afastando do que Deus está realizando, e revelará em nossas comunidades quais pessoas de fato cultivam um coração sem reservas.

 

O PRINCÍPIO DO SER UM

Entendemos que a expressão “Somos Um” não envolve uma denominação, mas uma profecia que está sobre todos nós. Mas é fato de que não nos “tornaremos um só” se não nutrirmos um coração sem reservas. Entendemos que o Tabernáculo de Mosheh era uma sombra do Tabernáculo Celestial (Hb 12), e que este tabernáculo é constituído de pedras vivas. Pedro traz a verdade de que a medida que nos aproximamos de Yeshua (1Pe 2), a Pedra Viva escolhida por Deus, nos tornamos participantes da sua natureza e parte da construção. Pedras são diferentes de tijolos. Tijolos tem uma aparência e forma única e se de alguma forma, um tijolo está fora do padrão ele é descartado. Talvez este entendimento precise ser ainda mais aprofundado em nosso interior. Acredito que muitos sabem sobre esta verdade, mas nem todos em nossas comunidades de fé veem outras pessoas e comunidades com a lente correta. Pedras vivas não tem um padrão estético, de aparência ou de função dentro da construção. Seu padrão é a substância e a essência de Yeshua em seu interior, e por isso, o fator unificante não é o quanto são iguais ou o quanto servem sacerdotalmente do mesmo jeito, mas sua natureza celestial. Dentro desta expressão da multiforme graça de Deus precisamos entender que cada lugar possui uma expressão de serviço específico. O Tabernáculo possuía vários componentes e compartimentos, forjados de forma específica e com materiais diferentes. Todos em seu papel e função específicas dentro da construção  expressavam uma característica peculiar de Yeshua. Paulo corrobora com isso ao instruir aos irmãos em Corinto sobre a funcionalidade do corpo (1Co 12). Vejam que muitas vezes ressaltamos apenas o lugar denominado “Santo dos Santos”, mas nos esquecemos que a Torah afirma que o Tabernáculo tinha que ser construído de tal forma que fosse uma única unidade.

 

“Fizeram-se 50 prendedores de ouro e uniram as cortinas umas as outras com os prendedores para que o tabernáculo formasse uma só unidade” – Ex 36.13

 

Não queremos diminuir a importância do Santo dos Santos porque ele aponta para a realidade da obra de nosso Sumo-Sacerdote (Hb 5 a 12), mas queremos ressaltar que todos os objetos e compartimentos, construídos de forma específica e com funções específicas, formavam uma só unidade. Vemos nisto uma verdade desafiadora para nossos dias, que “para sermos de fato um”, precisamos manter uma postura fundamental: assumir quem somos dentro do que Ele está construindo; nos apresentarmos sem reservas diante Dele; nos dedicarmos na busca pelo Espírito para que sejamos modelados a imagem de Yeshua; assumir a responsabilidade de desenvolvermos o que nos foi confiado; sermos fiéis para cumprirmos o que Ele designou; sermos maduros para nos aproximarmos uns dos outros sem reservas e sem espírito faccioso de comparação, mas nos revestindo do amor, que é o vínculo da perfeição (Cl 3.14). Devemos ressaltar e cooperar com o que cada comunidade está desenvolvendo, porque esta multiforme atuação é um testemunho que aponta para o Mashiach. Nosso desafio dentro disto, é termos a consciência da identidade singular de cada comunidade e a postura de assumir a responsabilidade para preservarmos a unidade e de cooperarmos com o que cada região tem desenvolvido. Por ser única é incomparável cada região é necessária para o que o Eterno está movendo em nosso tempo, e mesmo que não compreendamos claramente o que Ele tem desenvolvido em cada região, precisamos ter um coração que zela pelo principio da construção colaborativa. Acredito que neste tempo, Deus está provocando isto em nós, nos ensinando como podemos colaborar uns com os outros dentro daquilo que o Pai nos tem confiado de forma específica. Nos aproximarmos uns dos outros sem reservas é o segredo para nos tornarmos um, alcançando assim o cumprimento da profecia que está sobre nós. Esta expressão “uma só unidade” aparece cinco vezes nesta porção (Ex 36:13; 18, 22 e Ex 37:8, 17) e está diretamente relacionada a oração de Yeshua (Jo 17), onde Ele, o Pai e o Espírito formam uma única unidade por meio de sua relação pactual. Sua oração é para que Nele também nos tornássemos uma única unidade com o Eterno. E esta unidade é construída pela atuação e expressão quíntupla Dele sobre seu povo (Ef 4), através de homens designados para este fim.

 

OS ESPECIALISTAS

Uma outra expressão que se repete nesta porção é a de “homens especialistas ou experientes.”. Ela se repete por oito vezes de diversas formas (Ex 35:25; 32, 34, 35; Ex 36:8, 35, Ex  37:29 e Ex 38.1), sempre apontado para pessoas que desenvolveram seu talento, tornando-o uma habilidade. Dentre estes, há o exemplo de Bezalel e Aoliabe que se tornaram peritos ou especialistas. Precisamos de mais pessoas assim, que se dediquem a um processo intenso de desenvolvimento de seus talentos. Hoje temos muitas pessoas com informação sobre as verdades do Reino, mas poucas pessoas têm sido de fato disciplinadas em seu processo de desenvolvimento dos talentos depositados sobre elas. E sem sombra de dúvidas, precisamos de mais peritos para treinar aqueles que estão de fato dispostos a se tornarem aptos e adequados para obra do Pai em nosso tempo. Precisamos deixar a mentalidade de meninos, que imaginam o que devem ser, para nos tornarmos filhos maduros que abraçam o que de fato são. Damos graça ao Pai pela disposição da maioria das pessoas em cada comunidade que tem se sujeitado a um processo intenso de desenvolvimento, e pelos homens especialistas que o Pai tem escolhido e os quais tem tomado sua parte na obra do Pai, homens incansáveis que tem dedicado a vida, seja em sua esfera de atuação esfera pastoral, profética, apostólica, de ensino ou de evangelismo para que os santos possam ser aperfeiçoados na obra do ministério (Ef 4). Precisamos nos tornar sábios construtores que discernem a etapa em que a construção se encontra, que compreendem o fundamento, que sabem como construir (1Co 3) e que também cooperam com o desenvolvimento de outros santos.  Vemos nestas quatro expressões que se repetem nesta Parashah, um ensino que precisa ser melhor internalizado em nós e em todas as comunidades do Mashiach espalhadas pelo mundo, que nos instruí no princípio de nos reunirmos em torno Dele para o amarmos e honrarmos, cultivando um coração sem reservas diante Dele e dos irmãos, nos aproximando uns dos outros em amor, mantendo assim o vínculo da paz, para que mediante a natureza de Yeshua possamos construir juntamente com Ele, segundo as características específicas de cada pessoa e região, uma casa única, como um só homem.

  • Marcelo Souza
    Marcelo Souza Coach

    Marcelo Souza, natural de Curitiba, casado com Zélia Souza e pai da Júlia. Atua como Coach na empresa Illumine Coaching (www.illuminecoaching.com.br) cooperando com o desenvolvimento de pessoas e empresas em todo o Brasil. A base de seu trabalho é a convergência à princípios que regulamentam tudo e que possibilitam o alcance de resultados excelentes, consistentes e sustentáveis. Sua metodologia de trabalho é voltada para o desenvolvimento da integralidade da vida, ampliação de competências, mobilização de mentalidade corporativa e consolidação de equipes de trabalho. Juntamente com sua esposa, integra a equipe da Missão Mobilização (www.mobilizacao.com), organização voltada para desenvolvimento humano integral, mobilização cultural e edificação social, além de atuar no Conselho Deliberativo da Acridas – Associação Cristã de Assistência Social (www.acridas.org), organização não governamental de acolhimento institucional e familiar de crianças e adolescentes em situações de risco, representando a instituição no Fórum DCA/PR que mobiliza conscientização das organizações civis e públicas quanto ao cumprimento do Estatuto da Criança e dos Adolescentes.

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