Nossa Identidade Coletiva

 In Artigos, Ki Tavo

Algumas questões não respondidas pela ciência , a tecnologia ou a política diz respeito as perguntas que o homem em algum momento da vida fará: Quem sou? Por que estou aqui? Como devo viver? Para a Sociologia, Identidade é o compartilhar de várias ideias e ideais de um determinado grupo. Alguns autores, elaboram um conceito em que o indivíduo forma sua personalidade, mas também a recebe do meio onde realiza sua interação social. Na porção dessa semana “Quando Entrares/Ki Tavo” a lei nos diz que os primeiros frutos deveriam ser levados ao sacerdote  e cada um deveria fazer a seguinte declaração:

Quando forem levar as ofertas das primícias. Então testificarás perante o Senhor teu Deus, e dirás: Arameu, prestes a perecer, foi meu pai, e desceu ao Egito, e ali peregrinou com pouca gente, porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa, e numerosa.
Mas os egípcios nos maltrataram e nos afligiram, e sobre nós impuseram uma dura servidão. Então clamamos ao Senhor Deus de nossos pais; e o Senhor ouviu a nossa voz, e atentou para a nossa miséria, e para o nosso trabalho, e para a nossa opressão. E o Senhor nos tirou do Egito com mão forte, e com braço estendido, e com grande espanto, e com sinais, e com milagres; E nos trouxe a este lugar, e nos deu esta terra, terra que mana leite e mel. E eis que agora eu trouxe as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. – Deuteronômio 26:5-10

Esse texto trata de historia, fala sobre um ancestral distante, uma narrativa que explica o caminho percorrido no tempo. Explica o por que estou aqui, a quem pertenço, o que sou e o que somos. Moisés ao ser chamado por Deus no monte Horebe responde: “Quem sou eu? – Êxodo 3:11” Em um sentido simples essa argumentação era uma questão de identidade. Sou um egípcio, um midianita ou um judeu? A resposta de Deus foi: “Eu sou o Deus de seus pais”. Nesse ponto a afirmação fundamental é que a identidade tem início na genealogia, na historia dos que vieram antes de nós. Não estamos sozinhos, fazemos parte de uma narrativa estendida ao longo do tempo. Para antropologia a Identidade consiste na soma nunca concluída de um aglomerado de signos, referências e influências que definem o entendimento relacional de determinado individuo.  É necessário existir outros para que possa existir comparação e diferenciação. A identidade pessoal é moldada pela memória individual. A identidade de grupo é formada pela memória coletiva.

O Rabino Jonathan Sacks sobre isso diz: Quando Deus disse a Moisés que Ele era o Deus dos antepassados ​​dos israelitas, ele acrescentou: “Este é o meu nome eterno, é assim que eu devo ser lembrado [ zikhri ] de geração em geração”. Deus estava aqui dizendo que Ele está  além do  tempo – “Este é o meu nome eterno” – mas quando se trata de entendimento humano, Ele vive  dentro do  tempo, “de geração em geração“. A maneira como ele faz isso é através da entrega da memória: “Isto é como devo ser lembrado. “A identidade não é apenas uma questão de quem eram meus pais. É também uma questão do  que eles se lembraram e entregaram .

No paralelo dos primeiros  frutos podemos ver que Abraão o pai dos judeus e pai espiritual de todos os cristãos entregou seu filho Isaque, seu primogênito. Um ato de lembrar e entregar. Só ofertam das primícias aqueles que sabem quem são, de onde vieram e para onde vão. A oferta da viúva pobre em Lucas 21:1-4 tem como base a expressão dessa consciência. Ela deu tudo porque sabia quem era, suas posses não poderiam definir sua identidade. Ofertou tudo, porque seu pai Abrãao se entregou por inteiro e estava diante do filho de Deus que seria dado ao mundo como sacríficio vivo para remissão de toda raça humana. A entrega para aqueles que são filhos sempre é total.

Repetindo as palavras de Moisés: Quem sou eu? Notavelmente na b’rit Hadashah (Textos da Nova Aliança) dessa porção em Atos 28:23 vemos Paulo reunido com os judeus ensinando sobre Yeshua (Jesus) e ele começa sua narrativa contando a historia.  “Assim foi que eles marcaram uma ocasião, e naquele dia um grande número de judeus veio a casa dele. Paulo falou do Reino de Deus e ensinou-lhes a respeito de Jesus, usando as Escrituras – os cinco livros de Moisés e os livros da profecia. Ele começou a conferência de manhã, e prosseguiu até à noite!” Paulo tinha clareza de sua identidade. Aos Romanos ele fala: Também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Aqui como vimos ele cita a genealogia, colocando-se como parte de uma historia inacabada na qual ele vive um novo capítulo.

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Winston Churchill disse: “Quanto mais longe você consegue ver a historia que passou, mais longe você conseguirá ver o futuro que está a sua frente.”  Na parábola do semeador Jesus cita os texto dos profetas quando Isaías disse: “Ouvem nas não compreendem. Não conseguem ver.” e continua dizendo: Porque o coração deste povo está endurecido, fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure. Em Gálatas Paulo define quem somos: “Se vocês são de Cristo, vocês são também descendentes de Abraão, herdeiros de acordo com as promessas da aliança. Porque todos são um, em Cristo Jesus.” Se você esquecer a historia perderá sua identidade. Quem somos depende do que lembramos, o fracasso da memoria coletiva pode representar o colapso do que estamos construindo e a perda da capacidade de ver o futuro. Que conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa.

  • Marlon Brito
    Marlon Brito Chief Marketing Officer

    Marlon Brito é natural de Salvador, atualmente residindo em Curitiba e integrando a equipe da Missão Mobilização. É co-fundador e CMO da Mob Creative, trabalhando com comunicação e mídia, além de atuar na área publicitária como designer, desenvolvedor web e fotógrafo. Acredita no discipulado das nações através das áreas de influência que moldam a sociedade. Formas de comunicação quando aplicadas em comunidades e nações são poderosas ferramentas de influência e servem pra moldar uma cultura ensinando valores e princípios de Reino. Tem o objetivo de ampliar essa Voz para ecoar através de espaço e tempo e preservar um entendimento saudável e duradouro de uma cosmovisão bíblica.

Contate-nos

Não estamos por perto no momento. Mas você pode nos enviar um e-mail e vamos retornar o mais breve possível .

Not readable? Change text.