OS PROCESSOS DE MODELAGEM EM KI TISSA

 In Ki Tisa

Neste tempo temos nos dedicado a ampliar nosso entendimento sobre a importância da modelagem no desenvolvimento do plano eterno de Deus na história. Em todo o pano de fundo das Escritura encontramos a modelagem presente em cada momento da história da humanidade. Mas o que é modelagem? Como ela se desenvolve? Quais são os desafios e os riscos de todo processo de modelagem? Estas são algumas reflexões que gostaríamos de abordar a partir da Parashah Ki tissa

ENTENDENDO O CONCEITO

Modelagem é ato ou a ação de modelar algo. Modelar na língua portuguesa significa fazer o modelo de algo, fundir em molde, reproduzir com exatidão segundo um padrão, tomar por modelo. Na Torah a palavra utilizada é תבנית (tabniyth) que é traduzida como modelo, planta, forma, construção, estrutura, figura, imagem. Esta palavra é procedente de בנה (banah) que significa construir, reconstruir, estabelecer, fazer continuar, construir uma casa, estabelecer uma família. Esta palavra aparece pela primeira vez no texto de Ex 25:8-9 quando Yahweh instrui Mosheh sobre o processo de construção do tabernáculo.

“Eles devem erigir para mim um santuário, para que eu viva entre eles. Erijam-no de acordo com tudo o que eu mostrar a você – o modelo do tabernáculo e de seus utensílios. Eis como você deve erigi-lo.”

Vemos então, que todo processo de construção envolve modelagem, ou seja, o ato de construir algo a partir de um padrão ou plano, seja um edifício ou ainda, qualquer outro tipo de edificação ou objeto. Este entendimento é reafirmado e ampliado quando analisamos outras palavras em hebraico que são sinônimas de (tabniyth). A primeira palavra é תמונה (t^emuwnah), encontrada nos textos de (Ex 20:4) e (Nm 12:8) que é traduzida como: forma, imagem, semelhança, representação de uma espécie ou gênero. A segunda palavra é דמות (d^emuwth), encontrada nos textos de (Gn 1:26; 2Rs 16.10 entre outros), a qual é traduzida como: semelhança, similaridade, a semelhança de. Concluímos então que modelar é a ação de dar forma a um sistema ou construir algo, seja uma edificação ou objeto, sempre a partir de um padrão, modelo, imagem ou planta.

TUDO COMEÇA COM UMA VISÃO

Todo processo de modelagem se inicia com uma visão que é fundamental para todas as fases subsequentes da modelagem. Visão envolve não apenas enxergar algo ou ver com os olhos, mas interpretação e compreensão do que a imagem ou a cena deseja comunicar. É um processo que ocorre totalmente no interior do homem, em seu cérebro e passa pelo nível de inteligência espiritual, emocional e intelectual que esta pessoa alcançou até aquele momento, ou  seja, a interpretação ocorre segundo o que está formado em nosso interior e define como interpretamos aquilo que estamos vendo com os olhos. Covey chama isso de paradigma base, que nada mais é do que a lente pela qual vemos o mundo. Toda visão então exige uma interpretação, e toda interpretação produz entendimento do seu sentido e significado, a qual nos impele a uma postura e a uma determinada ação. Logo, a modelagem é um produto do entendimento a respeito da visão. Vemos nisto um princípio fundamental sobre visão: duas pessoas podem estar diante do mesmo momento onde uma visão está sendo descortinada a eles, mas os fatores internos definem a precisão com a qual cada um interpretará tal visão. O que talvez muitos ignoram é que o primeiro objetivo da visão é apresentar um padrão. O segundo, é afetar ou produzir alterações naquele que está acessando a visão. Se não me abro para ser modelado por aquilo que estou vendo, então certamente modelarei algo fora do padrão mostrado. Neste caso, há uma adulteração do padrão, pois quando deixamos o padrão estabelecido por Deus, estabelecemos um novo padrão, constituído a partir de nosso ego. E por que isso acontece? Porque toda visão exige de nós uma mudança ou ampliação de nosso paradigma base. Quando não nos abrimos para estas mudanças, a visão que nada mais é do que um processo de iluminação interior, se torna obscurecida, promovendo uma interpretação equivocada e ações inadequadas.

OBSCURIDADE QUE COMPROMETE

A falta de clareza e entendimento sobre o que estamos vendo gera ações imprecisas, que corrompem o sentido e deturpam o significado daquilo que verdadeiramente nos foi mostrado. E a clareza está diretamente ligada a nossa capacidade de leitura do momento em que estamos recebendo a visão e o que ela está apontando. Na ocasião do Sinai, vemos dois processos de modelagem acontecendo em paralelo. Um processo voltado para suprir uma falta de visão clara, de percepção e leitura do tempo, e por isso o que construíram foi algo rápido e instantâneo, pois não exigia uma postura de mudança, mas facilitava a perpetuação de um passado estático e sem vida. Por não verem claramente, construíram um objeto inanimado pelo qual se movimentavam. O bezerro de ouro construído era uma expressão do que estava dentro deles. Algo que era fruto de sua imaginação e não de uma revelação. Deram forma a um ídolo, porque não compreendiam o que estava acontecendo no cume da montanha. Toda construção do bezerro estava fundamentada sobre a rebelião contra a aliança que estava sendo estabelecida naquele momento no Sinai. Enquanto isso, o outro processo de modelagem que ocorria em paralelo apontava para o futuro dentro de um propósito que transcendia o momento que viviam, mas que estava ao mesmo tempo diretamente relacionado a impulsionar aquele povo para este futuro estabelecido pelo próprio Deus, posicionando-os neste processo de desenvolvimento integral, a partir de uma relação pactual que Deus estava estabelecendo com eles, para que eles se tornassem um povo sacerdotal. Por isso o modelo era exigente e requeria deste povo uma postura adequada ao que estava sendo descortinado para Mosheh no periodo em que ele permaneceu no topo do Sinai. Não era uma simples construção, era uma expressão de algo eterno, uma sombra de algo maior que estava vindo. Por isso, precisamos tratar com mais atençao a questão da obscuridade, porque ao agirmos sem a clareza do que Deus está movendo em nosso tempo, fatalmente corrompemos a visão, geramos atraso na construção, comprometemos o futuro e o destino das pessoas a nossa volta.

TODOS ESTÃO MODELANDO ALGO

Deus estava modelando em Mosheh sua forma. O que estava sendo mostrado a Mosheh não era apenas um edifício e objetos que preenchiam este edifício, mas eram as medidas que apontavam para a pessoa de Yeshua. O tabernáculo revelado no Sinai tinha como objetivo servir a um propósito específico dentro de um tempo, que era ser um protótipo de um modelo mais elevado que progressivamente estaria sendo revelado a eles. O tabernáculo então, não era um fim, mas parte do processo de construção do tabernáculo espiritual que Deus ja estava construindo a partir de Yeshua em seu povo.

“A medida que se aproxima de Yeshua, a pedra viva rejeitada pelas pessoas, mas escolhida por Deus e preciosa para ele, vocês mesmos, como pedras vivas, estão sendo utilizados na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdotes separados para Deus, a fim de oferecerem sacrificios espirituais aceitaveis a ele por intermédio de Yeshua, o Messias” – 1Pe 2.4-5

É importante termos em mente, que todo processo de modelagem de Deus envolve moldar pessoas, dando a elas a forma de seu Filho. Ele é o padrão de Deus, a planta da casa, a imagem exata do Ser de Deus (Cl 1.15), e somente mediante este padrão dentro de nós é que podemos, de fato, expressa-lo naquilo que fomos comissionados a realizar para ele.  Deus modela pessoas e pessoas modelam coisas. E o quanto as coisas modeladas trazem em si uma expressão de Deus depende do quanto estas pessoas se permitiram serem modeladas pelo próprio Deus. É um fluxo de desenvolvimento, e era exatamente isso que Deus estava fazendo, imprimindo em Mosheh sua forma (Ex 33:12-23; Ex 34.27-35), para que a partir desta forma, ele pudesse ser um sábio construtor dentro daquilo que Deus estava fazendo naquele momento.

“Com Mosheh, falo face a face, e de forma clara, não por enigmas; ele vê (no sentido de absorver) a imagem de Adonai!” – Nm 12.8

Enquanto no Sinai, Mosheh estava sendo modelado para se tornar um co-criador com Deus do que Ele estava fazendo, aos pés do Sinai, um outro processo de modelagem acontecia em paralelo. Como falamos anteriormente a obscuridade compromete qualquer projeto. Por não respeitarem a maneira pela qual Deus modela, modelaram a partir de si, nomeando como Yahweh um objeto que não o representava. Que constraste! Enquanto Deus se revelava para Mosheh, para que o interior dele fosse modelado, e a partir disso pudesse então dar forma ao que o próprio Deus estava mostrando para ele, Aharom e o povo, que anteriormente haviam rejeitado a proximidade de Deus (Ex 20.18-21), modelam um objeto que manifestava a forma do deus que havia em seu interior, fruto de sua vã imaginação.

“O povo tirou os brincos de ouro e os trouxe a Arão. Ele recebeu o que lhes deram, derrete-o e deu-lhe a forma de um bezerro. Eles disseram: “Yisra´el! Eis o seu Deus, que os trouxe da terra do Egito!” Ao ver isso, Aharom construiu um altar diante dele e anunciou: Amanhã será um dia de festa para Adonai. Na manhã seguinte, bem cedo, eles se levantaram e apresentaram uma oferta queimada e ofertas de paz. Mais tarde, o povo assentou-se para comer e beber; depois, eles se entregaram a folia.” – Ex 32.3-6

Apesar de Aharom dar a desculpa para Mosheh que ele apenas lançou o ouro no fogo e saiu um bezerro (Ex 32.24), Deus deixa bem claro que Aharom moldou o bezerro (Ex 32.35). Era um objeto estranho, que remetia a um bezerro, mas que era uma imagem destorcida por ser fruto da imaginação deles, e a partir desta imagina, estabeleceram por si mesmos um modelo de serviço sacerdotal. Essa mentalidade idolatra sempre conduz o homem a outros tipos de imoralidade devido à falta de autocontrole (Ex 32.6; Ex 32.21-25; Ez 16.23-42; Rm 1.20).

Esta ação de Aharom desencadeou uma ruptura, comprometeu uma geração e gerou um atraso no cumprimento da promessa de Deus dada a Avraham. Uma modelagem que não respeitou a maneira pela qual Deus modela se mostrou extremamente desastrosa. Mesmo sendo nomeada com o nome de Deus, não tinha nada a ver com o Ser Dele e o com o que ele estava construindo naquele momento. Isto nos traz um sinal de alerta para o tempo em que estamos, precisamos refletir se o que estamos fazendo é um resultado do que estamos nos tornando. E se o que estamos nos tornado é um resultado da natureza de Yeshua sendo gerada em nós pelo Espírito ou uma perpetuação da natureza caída do homem, afinal nós estamos modelando algo a partir do modelo que está dentro de cada um de nós. O que em muitos casos é preocupante, é que muitas pessoas podem estar clamando pela sua presença, mas se o que está sendo construindo não é segundo o padrão de seu Filho, sua Presença pode decretar uma sentença de juízo. A face de Mosheh resplandecia porque a construção dentro estava de acordo com o padrão do Mashiach revelado a ele. Posteriormente, a Presença de Deus foi manifesta quando a glória encheu o templo, porque a construção estava de acordo com o modelo dado no Sinai. O que estamos e como estamos modelando define o que acontecerá quando invocarmos sua Presença.

AS ETAPAS DA MODELAGEM

Vimos que a modelagem começa com a visão. Ela estabelece o padrão, o propósito e a finalidade. Quanto maior nosso nivel de clareza, mais assertivos nos tornamos. Mas gostaria de trazer um quadro prático sobre alguns pontos importantes em cada etapa do processo de modelagem. Estes pontos não são únicos, mas podem servir de guia para outras ações que podem ser desenvolvidas.


O QUE NOS ESPERA?

Acreditamos que estamos diante de um momento único na história. E quando analisamos as Escrituras percebemos que para cada tempo há um tipo de pessoa específica que Deus levanta sobre a terra. Mais do que nunca, estamos diante do desafio de nos tornarmos pessoas que serão capazes de promover alterações em ambientes de caos, não segundo as habilidades humanas, mas mediante intervenções do Espírito em nosso interior, nos modelando e nos estendendo. O estender está relacionado a atuação colaborativa. Sermos co-reparadores juntamente com Ele das ruínas antigas, dos fundamentos eternos, dos muros rompidos e co-restauradores das ruas em que se vive e dos lugares assolados, atuando como reparadores de brechas (Is 58.12-14). Precisamos transicionar para uma realidade de sacerdotes que provocam alterações na terra, que ocupam um lugar de intercessão entre Betel, a Casa de Deus, e Ai, um lugar de ruínas (Gn 12.8). Que ordenam lugares para que a justiça e a retidão sejam administradas na terra (Gn 18.19; Sl 89.14), porque destas coisas Yahweh tem prazer (Jr 9.23). Precisamos alcançar o padrão que está designado para este tempo, para que assim como Davi, possamos servir nossa geração segundo a vontade de Deus (2Sm 8.15; At 13.36)

  • Marcelo Souza
    Marcelo Souza Coach

    Marcelo Souza, natural de Curitiba, casado com Zélia Souza e pai da Júlia. Atua como Coach na empresa Illumine Coaching (www.illuminecoaching.com.br) cooperando com o desenvolvimento de pessoas e empresas em todo o Brasil. A base de seu trabalho é a convergência à princípios que regulamentam tudo e que possibilitam o alcance de resultados excelentes, consistentes e sustentáveis. Sua metodologia de trabalho é voltada para o desenvolvimento da integralidade da vida, ampliação de competências, mobilização de mentalidade corporativa e consolidação de equipes de trabalho. Juntamente com sua esposa, integra a equipe da Missão Mobilização (www.mobilizacao.com), organização voltada para desenvolvimento humano integral, mobilização cultural e edificação social, além de atuar no Conselho Deliberativo da Acridas – Associação Cristã de Assistência Social (www.acridas.org), organização não governamental de acolhimento institucional e familiar de crianças e adolescentes em situações de risco, representando a instituição no Fórum DCA/PR que mobiliza conscientização das organizações civis e públicas quanto ao cumprimento do Estatuto da Criança e dos Adolescentes.

Contate-nos

Não estamos por perto no momento. Mas você pode nos enviar um e-mail e vamos retornar o mais breve possível .

Not readable? Change text.