Planos e Frustrações

 In Mulher Melhor

E m anos trabalhando com pessoas tanto na vida profissional quanto na vida eclesiástica, pude notar que muitas dessas mulheres carregavam grande expectativa por uma “receita mágica” para entender o homem com quem estavam se relacionando e dessa forma buscavam o famoso “e foram felizes para sempre…”. Em primeiro lugar “a busca por entender o companheiro”: muitas vezes nos frustramos por descobrir que esse homem não era compatível com a idealização romântica, com o estereótipo do “príncipe encantado”.

Não significa que escolhemos errado ou que o príncipe virou um sapo, mas sim que, descendo do cavalo branco, tanto o homem da Branca de Neve quanto o da Cinderela, também deixavam suas princesas para uma partida de futebol pelo reino, ou esqueciam alguma data especial, ou deixavam a toalha molhada em cima da cama real.

Baseada num ideal de vida perfeita, sem problemas, vida de Facebook, os casamentos atuais transformam-se num Contos de Fadas. Essa ilusão provoca um sofisma de que não haverá mais angústia, nem frustrações após o encontro do amor.

Atendo algumas mulheres que passaram a infância e juventude debaixo de um jugo pesado de pais castradores ou abusadores. Sofreram tantas humilhações e perdas que chegaram a acreditar que a elas só estava destinada a morte. Quando, de repente, recebe a ajuda divina com a chegada de um príncipe encantado, que apesar dos seus defeitos está ali perfeitamente disposto a salva-la dessa vida de sofrimento.

Conhecem uma estória parecida com essa? Será que não temos cobrado apenas do pobre príncipe o sucesso do relacionamento? Será que não investimos tudo, como um encanto, para conquista-los e quando o temos voltamos a ser Gata Borralheira?  Precisamos entender que os Contos de Fada terminam onde a vida real começa, até porque não nos é ensinada a mágica do felizes para sempre, é então que nos deparamos com a tão temida “frustração”.

Lembremos novamente da nossa Cinderela: ela “deixou” o sapatinho e após a meia noite, todo o resto voltou ao normal, somente esse acessório perdido continuou encantado. Com isso quero mostrar que ela se frustrou, voltando a vida como era antes, porém ela não deixou de acreditar. Isso nos prova que não só devemos como precisamos continuar sonhando e tendo expectativas, porque isso nos impulsiona às transformações. Não vejo problema algum em continuar acreditando ou em ter grandes expectativas. O grande problema está em lidar com a frustração adquirida quando o esperado não acontece.

A frustração, em si, é fácil de ser controlada, o problema é que funciona como gatilho para outros sentimentos perigosos como raiva, desesperança, autocomiseração.

Alguém disse que só há duas possibilidades de ficarmos frustradas: ou quando fazemos escolhas erradas, ou quando acreditamos em algo que ninguém nos disse que aconteceria. Segundo Anderson Bomfim: “A partir do princípio de causa e efeito, por mais que venhamos procurar um culpado por nossas frustrações, ela tem origem em nossas próprias expectativas irreais colocadas sobre situações ou pessoas”.

Portanto, não há uma maneira de não me frustrar enquanto eu ainda acreditar na vida, mas há uma maneira de não permitir que essa frustração afete meu comportamento ou meu relacionamento com Deus, ou ainda gere uma ferida tamanha que me impulsione a escolhas erradas que só trarão mais frustrações e me levarão à um buraco fundo. Gosto muito da fala de Phill Adams:

“A frustração surge quando alguma coisa além do seu controle destrói e anula completamente seus planos. Contudo você pode dar à energia dessa frustração uma direção positiva”

Não há como experimentar a vida e não experimentar as frustrações, porém elas não podem parar-nos. Na Bíblia encontramos exemplos de servos de Deus que enfrentaram a frustração. Sansão se frustrou com Dalila. Pedro frustrou-se após, mesmo avisado, negou Yeshua. Moisés ficou frustrado com o povo que estava adorando o bezerro de ouro. Apesar disso, não permitiram que sentimentos minassem seus planos. A frustração anula a fé. Imagine o que teria sido de Ana se o ventre estéril tivesse gerado certeza de incapacidade. Ela não teria assumido o papel relevante que teve gerando uma resposta: Samuel.

Mulheres são sonhadoras, porém a inteligência emocional é indispensável para que esses sonhos venham acompanhados de saúde mental e emocional. Nossas frustrações nos ensinam, nos constroem e nos fortalecem. Claro que isso acontece apenas se escolhermos ser autores de nossas próprias histórias como já disse Augusto Cury. Não podemos deixar a vida dos levar, mas sim usar a nossa sabedoria para levar a vida….da melhor maneira possível.

Gostaria de finalizar com um convite à reflexão emprestando o slogan daquela propaganda de um carro (que não me lembro a marca) que nos serve, e muito, como um primeiro passo : NÃO DEIXE A VIDA ACONTECER SEM VOCÊ!

  • Andréa Bomfim
    Andréa Bomfim Pastora

    Andréa Bomfim, natural do Estado de São Paulo, casada com Anderson Bomfim, pais da Giovanna, Olivia e Pietra Bomfim. Residentes colaboradores de um presbitério local na cidade de Curitiba-PR. Fundadora da Missão Mobilização, é Psicologa e pedagoga, servindo em várias localidades do Brasil com mulheres através do programa Mulher Melhor, com seminários, palestras, aconselhamento, além trabalhar com ensino social e profissionalizante para adolescentes e jovens.

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