Uma Língua, Múltiplas Linguagens

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Estamos diante de uma expansão global jamais vista na história da humanidade, pois os limites geográficos já não podem mais impedir o avanço de novas influências culturais. Vemos isto ocorrendo de forma intensa com os refugiados que fogem de seus países devido aos conflitos civis e militares, procurando um lugar onde possam se estabelecer com mais segurança. Mesmo diante da tentativa de alguns países em controlar a entrada de refugiados, este é um movimento sem volta. Porém, uma barreira surge internamente nos países que os recebem, é o que chamamos de fator comunicação. Como se comunicar com pessoas que não falam a língua local, que não possuem os mesmos hábitos e costumes, que carregam sua própria história como povo, e que agora estão morando na casa ao lado? Uma coisa é a cultura virtual, que não nos afeta, outra é ter “em nosso terreno” uma cultura que muitas vezes se contrapõe a cultura vigente, enquanto aqueles que chegam tentam manter viva a sua cultura, aqueles que são nativos tentam proteger seu status quo, e neste tipo de movimento o choque cultural é inevitável, pois os meios de comunicação virtualmente globais se mostram ineficazes diante de tal desafio. Devido a esta complexidade da comunicação entre povos, há alguns que defendem o Esperanto como uma forma de comunicação universal, que é 100% fonética e considerada neutra. Foi planejada e estruturada pelo Dr.Ludwik Lejzer Zamenhof, médico judeu que em 1887 publicou sua primeira versão, com o objetivo de torná-la uma língua artificial que possibilitasse a comunicação entre pessoas de todo mundo. Seu objetivo não era substituir línguas nativas, mas remover dificuldades de comunicação entre pessoas de etnias diferentes. Hoje o idioma é falado em 120 país, mas possui muitas dificuldades de expansão por causa da aceitação.

O Fator Comunicação

Desde os primórdios da humanidade a comunicação é o fator determinante na história. Sem ela, nada do que hoje se vê existiria, pois tudo o que existe é resultado de um som, emanado do próprio Deus. O ato da sua criação carrega implicitamente a comunicação de quem Ele é. A comunicação aproxima pessoas quando ambas compreendem o que está sendo comunicado, ou seja, quando há uma decodificação do que foi dito. Quando não há esta via de mão dupla, há afastamento e separação, pois a comunicação não possui meio termo, pois ela aproxima ou afasta pessoas. Por isso, entende-la é fundamental para o que estaremos construindo no decorrer dos próximos anos.

A língua é um sistema de comunicação que organiza os elementos que a compõem. A linguagem é a capacidade que temos de produzir, desenvolver e compreender a expressão do pensamento pela palavra, escrita ou por meio de outros meios e sinais.

A profecia de Joel 2 traz o anúncio de que chegaria o dia onde o Eterno estaria estabelecendo uma nova estrutura de comunicação, ou uma nova língua, que habilitaria pessoas a se comunicarem com qualquer pessoa, independente da cultura dos receptores da mensagem. Yahweh concederia o seu conjunto de expressões escritas, faladas e de sinais que seria derramado sobre um povo em todas as suas esferas e classes, manifestadas por meio da profecia, dos sonhos e de visões projetadas no interior das pessoas e através de sinais externos nos céus e na terra. Todos vindo de uma mesma fonte, comunicando a mesma coisa a todas as pessoas, em todos os lugares e em todo o tempo. Uma maneira de comunicação que transcenderia os limites das culturas, pois antecede a elas. Antecede porque na estrutura da comunicação do Eterno está a origem de todos idiomas e de todas as formas de expressão. Essa nova nova língua traria sobre este povo uma capacidade de se comunicar através de múltiplas linguagens com todos os povos.

Depois disso, derramarei meu Espírito sobre toda a humanidade. Seus filhos e filhas profetizarão, os idosos terão sonhos, os rapazes terão visões; e também derramarei do meu Espírito sobre escravos e escravas. Mostrarei maravilhas nos céus e sobre a terra – sangue, fogo e colunas de fumaça. O sol se transformará em escuridão, e a lua em sangue, antes da chegada do grande e terrível dia de Adonai. – Jl 2.28-31

Vemos que a profecia de Joel está relacionada a influência do Espírito sobre um povo, e comunicação envolve poder de influência. E esta influência traria o cumprimento do mandato que estava sobre Abraham, de que por meio dele, todas as famílias da terra seriam benditas. Yahweh estaria concedendo a um povo uma fonte de códigos linguísticos incompreensíveis para aqueles que se opõem a Ele, mas perfeitamente compreensível para todos aqueles que estão próximos dEle. Um evento similar ocorreu no Sinai: enquanto o povo se assustou com um som que parecia um estrondo, Mosheh ouvia neste som indefinido palavras claras. Ele conseguiu decodificar o que estava sendo dito por causa da presença do Eterno, da operação do Espírito e da sua sujeição a Palavra Viva que estava sendo revelada a Ele. O povo se afastou porque não entendeu, não entendeu porque seu coração ainda estava dividido. O fator coração define proximidade, e a proximidade define nossa capacidade de decodificar a mensagem em meio aos sons que ouvimos.

Cumprimento e Expansão

Sabemos que o o cumprimento da profecia de Joel 2 aconteceu em Atos 2, quando os discípulos estavam reunidos no cenáculo, após passarem 40 dias sendo instruídos por Yeshua sobre o Reino de Deus e serem reposicionados em sua jornada de vida. Após a ascensão, permaneceram unidos em uma mesma disposição de coração, permanecendo unânimes, diferente do que ocorreu com o povo de Israel no Sinai.

Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Habitavam então em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo-se, pois, aquele ruído, ajuntou-se a multidão; e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses que estão falando? Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos? Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes – ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus. E todos pasmavam e estavam perplexos, dizendo uns aos outros: Que quer dizer isto? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. (At 2:1-13)

Com a descida do Espírito, aqueles homens começaram a falar em uma outra “glossa”, ou seja em uma outra língua, que os habilitou a se expressarem em diversas linguagens, por isso homens de diversas línguas nativas compreendiam o que eles estavam comunicando. Por meio da influência do Espírito eles se tornaram homens que se comunicavam com um mundo de pessoas de diversas etnias, porque falavam segundo a influência do sopro que antecede os idiomas. O interior dos discípulos foi preenchido com um som indecifrável, mas ao mesmo tempo violento e impetuoso, pleno e completo em toda sua extensão, que estabeleceu no interior deles uma nova forma de comunicação. Sobre os discípulos agora havia uma nova influencia linguística que comunicava com precisão o Verbo que coloca tudo em movimento. Sobre eles havia sido derramado da plenitude da comunicação do Espírito, para que pudessem cumprir o que era necessário em seu tempo. Por isso, as palavras  não estavam mais condicionadas a língua nativa dos discípulos, mas a linguagem do receptor da mensagem.

Estamos dentro da agenda de Pentecostes nestes dias, um tempo onde há um favor para expansão da capacidade de comunicação de discipulos que compreendem e se sujeitam a Lei do Espírito que rege a vida, que é a Torah impressa no interior de um coração circuncidado. Por isso, nossa oração neste tempo tem sido para que sejamos expandidos e habilitados pelo Espírito para nos comunicarmos com todos os povos, em suas múltiplas e complexas culturas. Ser empoderado para comunicar o Verbo é se tornar um tipo de pessoa que toca todos os tipos de pessoas, expressando por meio de sinais, proclamações, declarações, palavras e maravilhas as virtudes de Yeshua, pois acreditamos que o avivamento envolve uma nova capacidade e abrangência de comunicação. Não se trata de algo reservado apenas para um momento de culto, mas que se estende para todas as esferas da vida. Nosso clamor neste tempo tem sido para que Yahweh derrame mais uma vez desta mesma intensidade do Espírito, para que nos tornemos adequados para a plataforma apostólica que já esta em atuação neste tempo, pois uma porta da fé já está aberta os gentios (At 14) pois os campos já estão brancos.

A língua do Espírito nos concede a capacidade de nos comunicarmos através de múltiplas linguagens com todos os povos.

Acreditamos que esta ação do Espírito não estará condicionada a um momento ou a um tipo de ambiente, mas tocará toda a terra. Por isso, visualizamos homens percorrendo nações e se  comunicando de uma forma dinâmica jamais vista na história, pois as barreiras transculturais que sempre dificultaram a ação de missionários até aqui já não serão mais um fator limitante, sendo estas dificuldades transpostas pela forma com que o Espírito estará atuando neste tempo. Veremos crianças em seus ambientes de convívio falando das realidades de nosso Pai, empoderadas pelo Espírito, ministrando cura e transformação. Veremos jovens empreendendo arte, cultura e negócios como nunca antes, promovendo com sua vocação, transformação em localidades por meio da prática da justiça. Veremos homens discursando sobre uma realidade de economia e governo legislativo que normatizará ambientes de tomadas de decisões de negócios e políticas públicas. Veremos anciãos alcançando novos níveis de sabedoria e entendimento, servindo como mentores em projetos globais. Este é o cenário dos últimos dias, a quarta onda que já está vindo. O quanto nosso coração está preparado para ela? Nestes dias podemos acessar uma nova dimensão da comunicação do Espírito, tudo depende do quanto estamos Nele e Ele está em nós.

  • Marcelo Souza
    Marcelo Souza Coach

    Marcelo Souza, natural de Curitiba, casado com Zélia Souza e pai da Júlia. Atua como Coach na empresa Illumine Coaching (www.illuminecoaching.com.br) cooperando com o desenvolvimento de pessoas e empresas em todo o Brasil. A base de seu trabalho é a convergência à princípios que regulamentam tudo e que possibilitam o alcance de resultados excelentes, consistentes e sustentáveis. Sua metodologia de trabalho é voltada para o desenvolvimento da integralidade da vida, ampliação de competências, mobilização de mentalidade corporativa e consolidação de equipes de trabalho. Juntamente com sua esposa, integra a equipe da Missão Mobilização (www.mobilizacao.com), organização voltada para desenvolvimento humano integral, mobilização cultural e edificação social, além de atuar no Conselho Deliberativo da Acridas – Associação Cristã de Assistência Social (www.acridas.org), organização não governamental de acolhimento institucional e familiar de crianças e adolescentes em situações de risco, representando a instituição no Fórum DCA/PR que mobiliza conscientização das organizações civis e públicas quanto ao cumprimento do Estatuto da Criança e dos Adolescentes.

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