Deus Está No Que Ele Diz

 In Artigos, Bo

I magine-se diante do maior desafio da sua vida, aquele que poderia custar sua vida. Imaginou? Acredito que Moisés e Arão estavam vivendo algo semelhante. Lembre-se que Moisés já havia se encontrado com o Faraó em outras situações, mas agora, depois de tudo, deveria ir até seu palácio. Ir ao seu lugar de domínio. O que dizer em um momento como esse? “Vai Moisés! Tenha coragem! Não tenha medo!”. O que Moisés ouviu de Deus foi “vem”. Por isso, segundo os comentários de Jorge Dzialowski Diaconescu (Livro TORATI: O Seu Dia-a-Dia Conforme o Pentateuco) e uma versão da bíblia comentada em espanhol que estou estudando essa porção chama-se “vem”.

A primeira grande lição é que Deus não é apenas o Deus que ensina o caminho, mas é o caminho. Ouvi-lo e segui-lo é tê-lo sempre presente. Moisés não iria só, porque Deus sempre está no que Ele diz. Entender esse princípio pode trazer mudanças significativas na nossa relação com Deus e seu propósito.

Deus é Deus conosco, Deus presente, por isso, toda vez que nos sentimos só, é bem provável que estejamos fora daquilo que foi dito, distantes do caminho de se tornar, que nos faz ser o que está designado, o caminho que nos faz cumprir o destino criado antes da fundação do mundo. Ele não está apenas na nossa origem, Ele está no nosso destino. Ele É o princípio e o Fim (Apocalipse 21:6 e 22:13), autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:2), fiel para completar toda boa obra começado em cada um de nós (Filipenses 1:6). O chamado é vem! Passe por aquilo que você tem que passar para que possa chegar onde tem que chegar. Até mesmo quando disse a Abraão “Sai para o lugar que te mostrarei”, Abraão soube qual era a terra prometida porque o Senhor apareceu a Ele, chegou ao lugar do encontro. Sair da terra, parentela e casa do seu Pai era vir a Deus (Gênesis 12:1-7).

Lembre-se! Ouvir e guardar o que Deus diz, não se limita a cumprir ordens, mas encontra-lo no lugar de cumprimento de cada etapa da nossa Jornada. Esse foi o chamado de Cristo para os seus primeiros discípulos: “Vem e Veja” (João 1:39).

Esse chamado deve nos lembrar da grande comissão a todos os seus discípulos (Mateus 28:19): “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Indo pelo caminho deveriam tocar todas as etnias, povos, línguas e culturas imergindo-os na realidade do Espírito, ensinando-os como viver a partir da ética do Reino. Então diz: “Estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Quantos querem sua presença? Todos! Quantos tem? Aqueles que estão no que Ele disse! Desejar sua presença nem sempre vem acompanhado de amar sua vontade.

O Espírito Santo foi enviado para nos guiar nessa jornada. Lembre-se do ensino de Paulo aos romanos: “Todos que são guiados pelo Espírito de Deus são Filhos de Deus” (Romanos 8:14). O tornar-se Filho de Deus depende do deixar-se ser guiado pelo Espírito no caminho Cristo. Ele mesmo afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém VEM ao Pai se não por mim” (João 14:6).

O que poderia Impedir Moisés de Atender o Chamado de Deus?

Voltando ao contexto de Moisés, ouvir esse chamado “vem”, implicaria enfrentar mais três pragas, ver Deus executar juízo sobre mais três deuses do Egito como manifesto do seu Senhorio (Êxodo 12:12). O que poderia te impedir de atender ao Chamado de Deus? O que poderia impedir de chegar ao lugar de cumprimento da palavra de Deus? Quais são os juízos de Deus sobre o Egito por resistirem a sua palavra? A terra seria coberta de gafanhotos, e devorariam tudo que aparecesse pela frente, tudo produzido pela terra, ao ponto de não sobrar nenhuma planta em todo o Egito (Êxodo 10:15). Nenhum suposto Deus protetor das plantações resistiria ao juízo de Deus. Aqui a insaciabilidade humana, a devoção materialista acabaria com tudo. Isso nos faz lembrar do juízo de Deus sobre a geração dos dias de Noé (Gênesis 6:5-7) e como esse tipo de comportamento será uma das características da geração dos últimos dias (Mateus 24:38-39).

Esse era o espírito que movia o império egípcio. Quanto mais tinham, mais queriam ter, ao ponto de tornar a vida amarga, impedidos de usufruir tudo de bom que se plantava e apreciar da beleza da vida. A ambição humana é como gafanhoto devorador, que no ímpeto de ganhar perde-se a vida, instalando-se um processo de morte. Observe que o pedido do Faraó a Moisés foi: Ore ao vosso Deus para tirar de sobre mim esta “morte” (Êxodo 10:17). Tudo a sua volta estava morrendo. Ainda assim, Moisés permanece na palavra de Deus para sua vida a favor do seu povo. Moisés e Arão não foram rebeldes a sua palavra (Salmo 105:28).

O endurecimento do Coração de Faraó faz com que essa morte vá se estendendo as relações humanas. A próxima praga fala de três dias de escuridão sobre a terra ao ponto de nenhum homem poder ver a ser irmão, não conseguiam ver uns aos outros, ficaram paralisados por três dias (Êxodo 10:23). Perceba como a escuridão afetou as relações fraternas, o ser social, a natureza relacional do homem. Além de qualquer tipo de veneração ao sol estar agora sob juízo, qualquer devoção aos astros, mística animista, reconhecemos que o ser ambicioso devora recursos e a capacidade de ver o próximo.

Lembre-se de João quando fala sobre o mandamento que recebemos: “Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1 João 2:9).

Uma evidencia de morte, por causa da ambição humana, é a perda de recursos e da capacidade de desfrutar da beleza da vida por causa da amargura. Outra evidencia está na perda da capacidade de ver o próximo, o perder amigos, romper relacionamentos, é a morte se instalando a partir da quebra do mandamento do amar ao próximo como a si mesmo. A morte que antes de matar Abel já estava instalada dentro de Cain (Gênesis 4:9).

A décima e última praga traz juízo sobre o trono de Faraó e o legado do seu domínio. A primogenitura representa o legado do Faraó como governador divino e o futuro do povo egípcio como capital do mundo. O legado tem caráter de responsabilidade por perpetuar cultura e princípios intangíveis que norteiam o comportamento de um povo ao longo da vida. Com a morte dos primogênitos o futuro do Egito é comprometido. Aqui é vencida a síndrome do homem deus, a devoção humanista que sustenta o poder do império. Aqui é estabelecido o marco na terra e na história da humanidade a partir da aliança que Deus tem com seu povo.

Conclusão

Estudando essa porção vemos o testemunho de uma verdade inegociável. A colheita de um povo que zombou de Deus, toda maldade semeada sobre o povo hebreu por quatrocentos anos revelados ao Pai Abraão está sendo retribuída (Gálatas 6:7).

Ao final dessa história chegamos a mesma conclusão de José no fim da sua vida. “Intentastes o mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”. Tudo cooperou para o bem do seu propósito (Romanos 8:28).

Depois de tudo, entendemos que o chamado “vem”, não era apenas para Moisés, mas a todo o povo hebreu encontrar com Ele no deserto, reencontrar seu propósito original de prestar culto como uma nação consagrada, reino de sacerdotes (Êxodo 19:5).

Portanto, não veja a “obediência” como apenas cumprir ordens, mas sim como o chamado para encontrar com Ele e com seu destino. Que nada te impeça de correr sua carreira e cumprir sua jornada. Quando não souber onde Deus está, lembre-se do que Ele disse, porque Ele sempre estará lá.

Quando permanecemos no que Ele diz, tudo que parece mal é revertido em bem, tudo que o Egito perdeu por causa da sua maldade e ambição, o povo hebreu herdou por causa da sua promessa. Deus retribuiu a Moisés e seu povo por ouvirem o seu chamado. Gafanhotos devoravam os recursos na terra do Egito, mas no momento decisivo da história, na hora da grande virada, os hebreus encontraram favor para herdar toda riqueza trazida por José ao Egito, objetos de prata e ouro (Êxodo 11:2). Os egípcios experimentaram densas trevas que os impediram de ver uns aos outros, mas no fim os hebreus e suas famílias celebraram juntas o cordeiro em suas casas. Os egípcios viram a morte levando seus primogênitos e todo seu legado futuro, enquanto a porta de sangue se abriu para que aquela família de setenta homens pudesse entrar agora em uma nova era como a numerosa nação de Israel, o povo de propriedade exclusiva de Deus, comprados com sangue (Apocalipse 5:9), aqueles que não viveriam mais para si mesmos, mas para Deus (2 Coríntios 5:15). Portanto, não era a porta de saída do Egito, mas a porta do Reino, a porta de entrada no propósito eterno de Deus. Esse dia se tornou o estatuto perpétuo da pascoa, e estabeleceu o primeiro mês do ano, o novo dia de uma nova vida. Eis a grande salvação de Deus e o grande manifesto do seu Senhorio revelado a todos nós em Cristo.

Esse povo estava seguindo as pegadas da fé de Abraão que deixou tudo que os homens buscavam, terra (recursos), parentela (relacionamentos familiares) e a casa do Pai (Legado) para encontrar-se com Deus e tornar-se pai do povo chamado para abençoar todas as famílias da terra. Lembre-se da parábola dos convidados para o grande banquete, com o tempo, cada um deles se envolveu com algo que os impediu de estarem prontos para o momento do encontro (Lucas 14:15 a 24). O que te impede de atender ao chamado de Deus para seguir com Ele?

  • Anderson Bomfim
    Anderson Bomfim Pastor

    Anderson Bomfim natural do Estado de São Paulo, casado com Andréa Bomfim, pais da Giovanna, Olívia e Pietra Bomfim, residentes colaboradores de um presbitério local na cidade de Curitiba-PR. Fundadores da Missão Mobilização e Co-fundadores do CEIFAR-MG (Centro integrado de Formação e aperfeiçoamento para a Restauração). Desde 1999 tem procurado servir mobilizando e aperfeiçoando através de escolas modulares, conferencias e discipulado, cooperando junto com outras expressões ministeriais sobre a palavra de serem um, atuando em várias localidades com o mesmo propósito de Reino

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