DEUS NÃO LEVA PELA CAMINHO MAIS CURTO

INTRODUÇÃO

Segundo a narrativa de Moises, Deus não levou o povo pelo caminho que estava mais perto, porque o caminho mais rápido poderia se tornar o caminho do retrocesso, de volta ao passado, de atraso no propósito divino (Êxodo 13). O caminho mais curto era o caminho da guerra, do enfrentamento, de lutar contra os primeiros inimigos da jornada. Coloque-se por um momento no lugar deles.

Deus estava com eles (Êxodo 3:14), o mesmo cujo nome é “Senhor dos Exércitos” (2 Samuel 7:26), além disso, estavam todos bem armados.  Será que não ficaríamos animados com esse cenário? Esse caminho mais curto parecia certo, o que poderia dar errado? A questão é que Deus conhece nossa estrutura (Salmo 103:14). Ele tudo sabe porque tudo vê. Por isso, a direção correta naquele momento era o caminho mais longo. A lição é: O caminho que parece mais perto nem sempre é o caminho certo.

Entender esse princípio é libertador! Quanta energia, tempo, saúde e recursos seriam poupados, quantos fracassos e retrocessos na vida cristã seriam evitados. Isaias profetizou: “assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Isaias 55:9).

Paulo em um momento de contemplação declarou: Quão insondáveis são suas decisões, quão inescrutáveis os seus caminhos (Romanos 11:33). A pergunta é: Porque demoramos para perceber isso? Porque insistimos em caminhos que para nós parecem melhor, mesmo sem saber o que nos espera depois da próxima curva?

NÃO SE ENGANE, ATALHOS SÃO ATRASOS DE VIDA

O melhor a fazer em momentos como esses é alinhar a expectativa, não entrar pelo caminho do triunfo sobre territórios com quem ainda não venceu os impulsos da própria natureza carnal. Sermos jovens armados de palavras afiadas como espada e equipados com dons de poder não significa já sermos homens prontos para a guerra pública. Antes de entrar pelo caminho da guerra contra seus inimigos, deve-se entrar pelo caminho da guerra contra suas próprias paixões e inclinações interiores.

Lembre-se de Moisés que no monte Horede vence seus medos antes de estar frente a frente com faraó. Lembre-se do conselho do autor da carta aos hebreus, se hoje ouvires sua voz não endureçam o coração, não sejam incrédulos, não coloquem Deus a prova, para que não morram no meio do caminho. Lembre-se de Saul e Davi. O homem que trilhou o caminho mais curto para o reinado não teve estrutura para sustenta-lo. Por isso, a confiança de Davi não estava nas armas, mas no testemunho das lutas vencidas na sua vida secreta com Deus. Quero deixar um conselho a geração que escolhi servir por toda minha vida. Preste atenção nas placas sinalizadoras do caminho. Entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele e o mais Ele fará (Salmo 37:5).

O caminho mais curto nem sempre será o caminho mais seguro. Com base em uma nuvem de testemunhas escriturais (Hebreus 11), constatamos que o caminho mais curto não é o caminho do triunfo divino, mas da inferioridade altiva, do homem que quer a promessa sem processo, o reino sem cruz, a maturidade sem dor, aprovação sem prova.

Infelizmente não há atalhos na jornada do Reino de Deus, o caminho para o lugar de nomeação espiritual como “nação santa, propriedade adquirida e reino sacerdotal” (Êxodo 19:2) com certeza não é, e nem nunca será o caminho mais curto. Não deixe-se enganar! O atalho dos mais espertos, ou a rota dos meninos aventureiros é a “freeway” para lugar nenhum.

Não confunda a linha de partida com a de chegada

Será que temos mansidão messiânica para reconhecer o caminho de Deus como o melhor caminho para nós? Será que estamos animados para nos inscrever na escola do deserto, tanto quanto somos animados para receber graduação ministerial? Será que corremos o risco de acreditar estarmos prontos quando o treinamento está começando? Será que mais uma vez não confundimos o ponto de partida com a linha de chegada? Aceleração dos tempos com precipitação dos passos?

Lembre-se das palavras do homem que, à semelhança de Cristo (Lucas 4:1-2), passou pelo caminho do deserto, a estrada da morte pessoal (Gálatas 1:15-17). Eles diz com propriedade que o prêmio é para os que completam a corrida e não para os que largam bem (1 Coríntios 9:24). Poder de explosão sem resistente perseverança tem por fim fracasso e frustração. Queremos a vitória da perseverança dos santos.

C.H. Mackintosh diz em um dos seus comentários: “O caminho do deserto era uma rota muito mais demorada; mas Deus tinha várias lições importantes para ensinar ao Seu povo. Tão preciosas lições nunca poderiam ser aprendidas no caminho da terra dos filisteus“.

O caminho nos forma para o destino

A fé que move montanhas acontece a partir da vitória sobre a incredulidade no pequeno grão de mostarda. Fé confirmada é fé provada. Ter a estrutura provada no caminho secreto, e exposição pessoal no deserto com Deus é melhor do que ser envergonhado no campo de batalha por não conseguir sustentar a palavra que carrega. Lembre-se: “Ele conhece a nossa estrutura, lembra-se de que somos pó”.

Deus antes de construir prova a condição da estrutura. Ele levou aquela geração ao deserto para saber o que estava em seu coração, não se trata apenas de revelar sua rebelião, mas revelar recursos ocultos e tesouros investidos por Deus (Deuteronômio 8:2-4).

Lembre-se que Deus não se compara aos modelos autoritários que experimentamos. É no caminho que conhecemos o Pai que corrige quem ama (Hebreus 12:5,10-11). No caminho aprendemos a discernir as provas, e desenvolvemos coração ensinável. Lembre-se: Jesus embora sendo Filho, perfeito em seu caráter, Deus Pai o aperfeiçoou por meio daquilo que sofreu (Hebreus 2.10).

O autor da carta ao hebreus nos encoraja a guardarmos firme a confissão da esperança sabendo que quem fez a promessa é fiel (Hebreus 10:23). Nessa jornada é necessário que a perseverança tenha ação completa, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcancemos o lugar prometido (Hebreus 10:36). Guarde isso: Deus é fiel para completar tudo o que começou (Filipenses 1.6).

Jorge Dzialowski Diaconescu diz em seu comentário: “Caminhos mais curtos para se alcançar os objetivos desejados nem sempre são os mais seguros. Por trás das dificuldades do caminho, está a intensão de Deus em revelar os recursos que ainda não foram acionados”.

Nesse caminho do deserto o céu toca a terra no horizonte, nele conhecemos Deus pessoalmente, e vemos todas as coisas sendo acrescentadas (Mateus 6:33). Durante o dia, as nuvem traziam sombra, à noite, a coluna de fogo, além de iluminar o caminho, aquecia no frio do deserto.

Não responsabilize pessoas pelas dificuldades do seu caminho. Deus levou seu povo pelo melhor caminho, Moisés cumpria ordens divinas e trazia palavras de encorajamento. Culpar líderes ou livrar-se de irmãos na caminhada não te poupará de prestar contas com o Senhor do caminho.

Ao invés de procurar culpados por seus problemas assuma a responsabilidade de responder ao seu processo. “Fala aos filhos de Israel que Sigam em frente!”. Então um dia nos lembraremos do caminho pelo qual fomos guiados reconhecendo com grande louvor os feitos daquele que é o Deus do caminho (Deuteronômio 8:2-4).

Conclusão: O caminho é uma Pessoa

No princípio o caminho da árvore da vida foi guardado do homem por causa da separação causada pela quebra da relação original com Deus (Gênesis 3:24). O caminho significa o curso da vida, a busca pelo sentido. Jesus se tornou o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode reencontrar Deus Pai, se não for por meio Dele. O caminho de volta pra casa, lugar de pertencimento de onde o homem nunca deveria ter saído.

Todos os homens estão a procura do caminho, mas nenhum homem é incapaz de encontra-lo sozinho. O caminho do homem é o de Cain, caminho da negação, do fugitivo errante da presença de Deus, condenado pelo medo da morte.

Não se engane com a ideia de que todos os caminhos levam a Deus, porque existem caminhos que parecem certos, porque não vemos que seu fim é de morte (Provérbios 14:12). O sangue derramado sobre os umbrais da porta dos hebreus é o símbolo do sangue cordeiro de Deus abrindo o caminho de volta ao nosso lugar original (Êxodo 12). Essa é a porta de entrada para o lugar do encontro com Deus e não de saída da cidade dos homens, porque não somos fugitivos do mundo, mas peregrinos atravessadores a caminho da cidade de Deus.

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